“Se não fossem as minhas malas cheias de memórias ou aquela história que faz mais de um ano, não fossem os danos, não seria eu. Se não fossem as minhas tias com todos os mimos ou se eu menino fosse mais amado, se não desse errado não seria eu. Se o fato é que sou muito do seu desagrado, não quero ser chato mas vou ser honesto, eu não sei o que você tem contra mim, você pode tentar por horas me deixar culpado mas vai dar errado já que foi o resto da vida inteira que me fez assim, se não fossem os ais e não fossem a dor e essa mania de lembrar de tudo feito um gravador. Se não fosse Deus bancando o escritor, se não fossem o mickey e as terças-feiras e os ursos pandas e o andar de cima da primeira casa em que eu morei e dava pra chegar no morro só pela varanda, se não fosse a fome e essas crianças e esse cachorro e o Sancho Pança, se não fosse o Koni e o Capitão Gancho, não seria eu.”

Clarice Falcão.  (via nubleiros)
“Minha tristeza não
se faz alarde.
Some com sol
e renasce
no fim da
tarde.”

— Glossariando (via florescedora)
“cuida do meu
amor,
pois de ti não quero
lembrar com
dor.”

nevou.    (via remontado)
“Que a felicidade não dependa do tempo, nem da paisagem, nem da sorte, nem do dinheiro. Que ela possa vir com toda simplicidade, de dentro para fora, de cada um para todos. Que as pessoas saibam falar, calar, e acima de tudo ouvir. Que tenham amor ou então sintam falta de não tê-lo. Que tenham ideais e medo de perdê-lo. Que amem ao próximo e respeitem sua dor. Para que tenhamos certeza de que: Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade.”

Carlos Drummond de Andrade. (via versificar)
“I
Passos vagos sobre a ponte em ruínas
Deixando toda uma virtude destruída
Em meio aos papeis picados e despejados
No rio meio morto que insiste em correr
Sempre para um abismo inviável.
Minha alma fala nestes manuscritos abandonados
As palavras bonitas simplesmente se foram na ventania
Não há motivos para a realeza
Onde tudo desmorona a bela arquitetura
É a fadiga para o fim dos tempos
A realidade nua se entrega aos meus braços
Para enfim consumarmos a união
Só a morte para separar meus passos da ruína
Dessa ponte inevitavelmente monstruosa
Aceito que parte de mim se lança ao abismo
Aceito que parte de mim se contrai na luz
Aceito que parte de mim se revela na dor
Aceito que parte de mim se delicia na ruína
Aceito, então, que parte de mim é minha,
A recusa só tornaria mais áspero o concreto.”

— Charles Izzi (via arcadico)

Você sente?

 

Você sente?

Meu peito bater mais forte?

Com seus versos de mil e um amores?

Com suas falas encantadoras?

Você sente?

Que te amo?

Que teus encantos são os meus?

Que seus olhos são meu céu?

(Nordestiana - Mulheres de Dante)